
Breve histórico
Margarida d'Youville
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BREVE HISTÓRICO
A
Congregação das Irmãs de Caridade de Montreal, mais
conhecida no Canadá como «Soeurs Grises», foi fundada
em 1737 por Margarida d’Youville.
Margarida d’Youville, uma jovem viúva e mãe de dois
filhos, teria tido muitos motivos para dedicar-se a eles com exclusividade,
provendo- lhes o sustento. Contudo, passou para a história, como
mulher de compaixão para com os sofredores de seu tempo. Fortalecida
por um amor universal através da certeza de que se Deus é
Pai, obviamente todos os seres humanos são irmãos, suscitou
e foi exemplo para o seu povo, para a sua época, e para a contemporaneidade,
uma caridade sem fronteiras.
Margarida d’Youville foi uma mulher de fé que anunciou, com
o seu testemunho de vida, o Deus de Jesus Cristo, um Deus presente nos
pobres, nos necessitados, nos sofridos e abatidos, nos desesperançadas
- pessoas marcadas por ausências materiais, espirituais, psico-existenciais.
Com algumas mulheres que partilhavam o seu desejo de servir os mais pobres,
Margarida abriu uma casa onde acolheu, hospedou e alimentou os necessitados
com coragem e dedicação. Apesar de numerosas críticas
e dificuldades, nunca renunciou à sua obra, até sua morte
em 1771.
Na ocasião da beatificação de Margarida, o papa
João XXIII a proclamou « Mãe da caridade universal
». Em 1990, ela foi declarada santa e se tornou, para o mundo inteiro,
um modelo de amor e de compaixão.
Hoje, fora das Irmãs de Caridade de Montreal, cinco outras congregações
autônomas continuam a missão de Margarida d’Youville.
Les Sœurs de la Charité de St-Hyacinthe (1840)
Les Sœurs de la Charité d’Ottawa (1845)
Les Sœurs de la Charité de Québec (1849)
Grey Nuns of the Sacred Heart (1921)
Grey Sisters of the Immaculate Conception (Pembroke, Canada) (1926)
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MARGARIDA
D’YOUVILLE
Infância
Margarida nasce em Varennes, Quebec, o dia 15 de outubro de 1701.
Ela é a mais velha de uma família de seis filhos e perde
seu pai quando tem apenas sete anos.
Do 11 aos 13 anos, vai estudar no pensionato das Irmãs Ursulinas
de Quebec, o que lhe garantirá a possibilidade de contribuir, não
somente para a educação de seus irmãos e irmãs,
mas também para o apoio indispensável à sua mãe
nos trabalhos domésticos.
Primeiro Noivado
Margarida cresce em idade e maturidade. Sua graça e distinção
fazem-na procurada. Noiva de um jovem nobre, ela pensa em um futuro promissor.
Todavia o segundo casamento da sua mãe com um médico irlandês,
que a sociedade de Varennes considera como um estrangeiro, influencia
a reputação familiar de Margarida e o seu primeiro noivado
é interrompido.
Esposa
Em Montreal, para onde foi morar depois sua família, Margarida
conhece Francisco d’Youville e casa-se com ele no dia 12 de agosto
de 1722. Ficam morando na casa da sogra, mulher avarenta e dominadora.
Margarida descobre em seu marido um homem volúvel, egoísta,
indiferente e ela sofre das suas longas ausências e de seu comércio
ilegal de cachaça com os Ameríndios. Ela está grávida
de seu sexto filho quando Francisco fica gravemente doente e vem a falecer
com a idade de 30 anos, e apenas oito anos de casamento. Dos seis filhos,
quatro morrem ainda pequenos.
Viúva
Aos 28 anos, Margarida fica viúva com dois filhos para
educar, com enormes dívidas contraídas pelo marido e sua
reputação de novo abalada, agora devido aos atos do marido.
Abre então um pequeno comércio tendo em vista a sua sobrevivência
e dos filhos, saldar as dívidas que o marido lhe deixara, e ainda
mais, prover as necessidades dos pobres que ela encontra em seu caminho.
Sua família não aprova seu gesto de caridade, alegando
não ser bem visto pela sociedade que uma mulher de sua classe social,
isto é, de ascendência nobre, aja de tal maneira.
Apesar da oposição familiar e da sociedade, Margarida,
cuja compreensão das necessidades humanas dinamiza sua coragem,
continua sua missão junto aos pobres.
O grito do pobre...
encontra eco no coração de Margarida. Na idade
de 26 anos, ainda durante o casamento, ela é agraciada por Deus
com uma experiência espiritual que irá transformar a sua
vida conduzindo-a a cumprir sua missão de caridade universal, a
saber, a graça de compreender, no mais profundo de si mesma, que,
como grande família humana, nós somos todos irmãos
e irmãs, ternamente amados por um Deus Providência e cheio
de compaixão.
Nascimento
de uma nova congregação religiosa
No dia 21 de novembro de 1737, Margarida acolhe em sua casa uma mulher
cega. Mais ainda, pede esmola para o enterro dos criminosos executados
na praça do mercado de sua cidade e conserta as roupas dos idosos
do Hospital geral de Montreal.
Sua dedicação aos pobres inspira três mulheres a
se juntarem a ela.
No dia 31 de dezembro de 1737, Margarida e suas três colegas, consagram-se
ao serviço dos pobres em quem elas vêem Jesus Cristo. Esse
momento decisivo é considerado o da fundação da Congregação
das Irmãs de Caridade de Montreal “Soeurs Grises”.
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As “sœurs grises”
Este foi o nome que, por desprezo, foi dado a este pequeno grupo.
“As irmãs estão grises” (quer dizer estão
embriagadas!) grita o povo, com desprezo, para Margarida e para suas colegas.
As pessoas que a discriminam o fazem por relacionarem o seu trabalho
ao tráfico de cachaça de Francisco d’ Youville. Contudo,
o tempo evidenciará que o mesmo povo que as despreza agora, as
enaltecerá mais tarde, pois elas passarão para a história
como aquelas que a todos atendem e estendem a mão, como mulheres
de caridade universal.
Mais tarde, quando as irmãs já forem bem respeitadas, Margarida
escolherá este nome (soeurs grises), em sinal de humildade e na
lembrança desta injusta acusação.
Anos
de provação
Nos anos seguintes, sucedem-se várias provações:
incêndio, doença, pobreza extrema, conquista do país
pelos Ingleses.
Margarida e suas colegas as aceitam numa atitude de confiança na
Providência divina. E no dia 2 de fevereiro de 1745, dia seguinte
ao incêndio que destruiu sua casa, assinam os Primeiros Propósitos:
fazem promessa de “receber, nutrir e manter tantos pobres quantos
possam sustentar...”
Fiéis ao compromisso que assumiram, se mantêm serenas e encontram
força e apoio na inabalável confiança em Deus Pai
e Providência.
Uma
nova casa
O Hospital geral de Montreal, construído em 1693 pelos Irmãos
Charon, estava em ruínas. A direção desse hospital
foi confiada provisoriamente a Margarida, pois ninguém queria assumir
tal tarefa.
Com suas colegas, ela entra nesta instituição no dia 7 de
outubro de 1747 e, em menos de 3 anos, renovam completamente esse hospital
para fazer dele uma casa de acolhimento sem discriminação.
- Vamos à casa das “Soeurs Grises” -diz o povo desvalido-,
elas nunca recusam ninguém.
Mais dificuldades...
Sem conhecimento de Margarida, as autoridades decidem fazer uma
fusão entre o Hospital geral de Montreal e o de Quebec. Com sua
constante confiança em Deus, ela diz:
“Se Deus nos chama a governar esta casa, seu plano se realizará,
os obstáculos e perseguição dos homens não
nos poderão abalar”.
Em 1753, Luís XV, rei da França, assina as “Cartas
patentes” sancionando a nomeação de Margarida como
diretora do Hospital geral. Não demora que esta instituição
fica cheia, abrigando idosos, órfãos, prostitutas, deficientes
mentais ou físicos, doentes crônicos, crianças abandonadas.
Uma
herança de amor
Margarida vive no Hospital geral de 1747 até seu falecimento,
dia 23 de dezembro de 1771. Ela abre seu coração e sua casa
a todas as necessidades humanas. Defende os direitos dos pobres e desafia
continuamente as convenções sociais do seu tempo. Seu primeiro
objetivo é de propagar a boa nova do amor compassivo de Deus Pai
para todo ser humano. Agora ela pode olhar para sua vida cheia de obras
de misericórdia.
As últimas palavras de Margarida continuam ainda a inspirar as
Irmãs de Caridade hoje. Seu último pedido foi que ficassem
fiéis ao caminho que lhes foi traçado por Deus e percorrido
por ela e suas colegas: andar sempre na obediência à vontade
do Pai e sobretudo fazer de sorte que a mais perfeita união reine
sempre entre elas.
No dia 3 de maio de 1959, o papa João XXIII beatifica Margarida
e a proclama “Mãe à caridade universal”.
Ela torna-se assim a primeira mulher de origem canadense a ser chamada
Bem-aventurada. Em 9 de dezembro de 1990, o papa João Paulo II
canoniza esta Mãe dos pobres e a apresenta ao mundo inteiro como
modelo de amor compassivo. A Igreja celebra sua festa litúrgica
no dia 16 de outubro.
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